A embolização é um tratamento eficaz para tratar a hiperplasia benigna da próstata. Mais de 1500 doentes já foram tratados com esta técnica em Portugal. O médico e professor Tiago Bilhim explica como funciona neste artigo de opinião.

A embolização prostática foi desenvolvida pela nossa equipa de angiografia do Hospital de Saint Louis em Lisboa há 10 anos e foi o tema da minha tese de doutoramento. Na altura em que iniciamos a técnica, ela estava também a ser desenvolvida no Brasil. O nosso grupo em Portugal e o outro grupo de radiologia de intervenção do Brasil foram os pioneiros da técnica de embolização prostática nos doentes com hiperplasia benigna da próstata (HBP).

Durante os últimos 10 anos embolizamos mais de 1500 doentes com hiperplasia benigna da próstata no serviço de angiografia do Hospital de Saint Louis e ensinamos a técnica a radiologistas de intervenção em equipa com colegas urologistas. Recebemos mais de 100 grupos de médicos de todos os países do mundo que vieram aprender a fazer a embolização prostática.

Atualmente já se faz a embolização prostática em todo o mundo, com publicações a mostrar ser segura e eficaz em mais de 5000 doentes de países como os Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, França, Suíça e Espanha.

A embolização prostática foi comparada com a cirurgia da próstata e demonstrou ser igualmente eficaz no alívio dos sintomas, e com menos complicações. A recuperação após a embolização é muito melhor, com menos dor, sem necessidade de algaliação. Contudo, a cirurgia tem demonstrado maior eficácia na desobstrução urinária, à custa de uma recuperação mais dolorosa, com necessidade de algaliação e maior risco de complicações como ejaculação retrógrada e disfunção sexual.

Como funciona a embolização das artérias prostáticas?

  • Tratamento elegante em que bloqueamos o aporte de sangue à próstata.
  • Realizamos um cateterismo, ou seja, através de uma artéria introduzimos um cateter.
  • Artéria radial ou femoral; anestesia local, cateter até à próstata.
  • Embolização com microesferas calibradas.
  • Remoção do cateter, compressão.
  • Excelente recuperação, sem dor, pode beber e comer. 
  • Ardor urinário, frequência – prostatite ou infeção urinária que controlamos com medicação.

Muitos doentes voltam à vida normal no dia seguinte e já a notar melhorias na forma de urinar.

Fonte: LifeStyle.sapo.pt