Um mioma uterino (também designado por fibróide, leiomioma ou fibromioma) é um tumor benigno que cresce no tecido do útero.

É muito raro um mioma malignizar.

Pode ser um tumor isolado ou surgirem diversos de pequenas dimensões.

O mioma uterino ocorre em cerca de 20-50% das mulheres em idade fértil.

Conforme a localização, os miomas podem ser intramurais, subserosos ou submucosos. Os intramurais, que crescem na parede do útero, são os mais comuns. Os submucosos localizam-se na camada de revestimento do útero, o endométrio, e tendem a provocar mais perdas de sangue. Os subserosos crescem na parede exterior do útero.

Em muitos casos, o mioma pode passar despercebido sem causar sintomas. Em cerca de 30% das mulheres os miomas causam sintomas, como hemorragias uterinas anormais, menstruações muito abundantes e prolongadas, podendo originar anemia.

O risco de uma mulher desenvolver miomas aumentar com a idade, história familiar, hábitos alimentares e com a obesidade.

Em Portugal, os miomas uterinos afectam entre 30 a 60% da população feminina em geral. Nas mulheres em idade reprodutiva a incidência desta doença situa-se entre 20 a 40%.

Estima-se que em Portugal cerca de 2 milhões de mulheres apresentem mioma.

Quais as causas do mioma uterino?

As causas do mioma ainda não foram identificadas. Sabe-se que eles se desenvolvem na mulher em idade reprodutiva e que não surgem antes do corpo ser capaz de produzir estrogénios.

Os miomas crescem mais rapidamente durante a gravidez e quando o corpo recebe doses adicionais de estrogénios. Após a menopausa, os miomas param de crescer e começam a reduzir as suas dimensoes dada a perda de estrogénios.

Todos estes elementos sugerem que o ambiente hormonal é importante no desenvolvimento desta doença.

Os factores genéticos desempenham também um papel importante no desenvolvimento do mioma uterino. De facto, as familiares em primeiro-grau de mulheres com mioma apresentam um risco 2,5 vezes superior de desenvolverem essa doença.

Quais os sintomas do mioma uterino?

Os sintomas mais comuns de mioma uterino são a presença de dores na região posterior das pernas, sensação de dor ou de pressão na região pélvica, períodos menstruais abundantes e prolongados e perdas de sangue entre os períodos, obstipação ou gases pela compressão do abdómen, aumento de volume do abdómen que pode ser confundida com excesso de peso ou gravidez, dores durante as relações sexuais, pressão na bexiga com sensação constante de vontade de urinar, incontinência ou incapacidade de esvaziar a bexiga.

Por vezes, os miomas podem causar o crescimento de pólipos no endométrio, que podem agravar as perdas de sangue menstrual e as dores.

Se as perdas de sangue forem abundantes e prolongadas pode ocorrer anemia, com cansaço, dificuldade em respirar e palidez.

Os miomas podem interferir com a implantação dos óvulos fertilizados causando infertilidade. Na gravidez, os miomas podem afectar o fluxo sanguíneo da placenta causando aborto ou parto prematuro.

A gravidez tem um efeito variável e imprevisível sobre o crescimento do mioma mas raramente eles aumentam durante esse período.

Como se diagnostica o mioma uterino?

O diagnóstico baseia-se no exame ginecológico e por exames como a ecografia ou a ressonância magnética, que permitem confirmar a presença, localização e dimensão do mioma.

Como se trata o mioma uterino?

O tratamento depende de diversos factores, como a idade, estado geral de saúde, gravidade dos sintomas, antecedentes pessoais e localização dos miomas.

Na ausência de sintomas, o médico pode optar por não tratar e manter uma vigilância regular.

No passado, o tratamento mais comum era a remoção do útero (histerectomia). Actualmente existem outras opções.

Como regra, o tratamento está indicado quando o mioma cresce a ponto de comprimir outros órgãos, como a bexiga, quando cresce muito rapidamente, quando provoca hemorragias anormais ou quando se associa a infertilidade.

Os tratamentos podem incluir hormonas que, usadas em combinação, ajudam a reduzir a dimensão antes da cirurgia.
 

Os miomas podem ser removidos através do útero (histeroscopia), por laparoscopia (inserção de instrumentos cirúrgicos por pequenos orifícios no abdómen) ou por cirurgia aberta, no caso de miomas de maiores dimensões.

Neste caso, as paredes do útero podem ficar enfraquecidas, tornando necessário o recurso a cesariana numa gravidez que ocorra posteriormente.

A remoção do mioma conservando o útero é importante em mulheres que desejem engravidar mas, em cerca de 25% dos casos, a doença pode reaparecer.

Em alguns casos, é necessário remover todo o útero (histerectomia). Nesse caso, a mulher já não poderá engravidar.