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20 Anos a Inovar em Radiologia de Intervenção
HBP

Hiperplasia benigna da próstata

– O que é a hiperplasia benigna da próstata?

Doença benigna, mais de 60% dos homens acima dos 60 anos, portanto muito prevalente

Consiste na proliferação do tecido glandular prostático em torno da uretra. Esta proliferação é condicionada pelo estímulo hormonal da testosterona, e o seu efeito vai tornando-se mais evidente ao longo dos anos, pelo que a doença geralmente só se torna evidente a partir dos 50 a 60 anos.

– Quais são os sintomas

A proliferação do tecido prostático leva a um aumento do tamanho da próstata. Este aumento do tamanho da próstata leva a uma obstrução da passagem da urina por baixo da bexiga, com um aperto da uretra.

Isto leva a que os homens comecem a sentir alguma dificuldade em urinar e que geralmente se vai agravando com o passar dos anos.

Os sintomas da hiperplasia benigna da próstata são também designados de sintomas do trato urinário inferior e podem ser de dificuldade em armazenar a urina ou em esvaziar a bexiga. Geralmente os doentes queixam-se de dificuldade em começar a micção, jato urinário fraco, intermitência com uma micção que começa e para varias vezes, dificuldade em esvaziar a bexiga com a sensação de que fica urina na bexiga mesmo após urinar. Isto leva a que tenham de urinar muitas vezes durante o dia. Outros doentes referem urgência em urinar, com algum ardor por vezes. O sintoma que tem impacto mais negativo nos doentes é geralmente a noctúria, ou seja, acordar a meio da noite várias vezes para ter de urinar.

Por vezes a doença pode manifestar-se pela primeira vez com uma complicação como a retenção urinária aguda, em que se deixa de conseguir urinar e é necessário colocar uma algália. Outras possíveis complicações da HBP são infecções urinárias de repetição, pedras na bexiga e obstrução da árvore excretora renal.

– Como se trata?

O tratamento da hiperplasia benigna da próstata depende da gravidade dos sintomas. Geralmente a primeira abordagem consiste na mudança dos estilos de vida, reduzindo o consumo de bebidas e café sobretudo à noite e ajuste de alguns medicamentos que possam levar ao aumento do volume de urina. Esta mudança de estilos de vida é frequentemente acompanhada com o tratamento médico. O tratamento médico consiste nos bloqueadores alfa-adrenérgicos que relaxam o tecido prostático e permitem ao doente urinar melhor. Tem um efeito quase imediato, notando logo melhorias passados 1 a 2 dias do início da tratamento. Geralmente é um comprimido por dia e tem de ser tomado para sempre. Infelizmente, alguns homens não o toleram pois pode levar a redução da ejaculação.  Outro grupo de medicamentos são os inibidores da enzima 5 alfa reductase, que inibem o crescimento da próstata ao bloquearem o estímulo hormonal da testosterona no tecido prostático. Tem menos efeito nos sintomas urinários mas demonstrou que evita que a doença progrida, reduzindo o risco de complicações como a retenção urinária, sobretudo se o tamanho da próstata for superior a 40cc. Tem também alguns efeitos secundários como perda da libido e depressão.

Se a pessoa não tolerar o tratamento médico, se persistirem sintomas apesar do tratamento médico ou se surgiram as complicações da HBP, é recomendado um tratamento mais invasivo como a cirurgia. A embolização prostática é uma alternativa que desenvolvemos nos últimos dez anos e que veio preencher um espaço que existia entre o tratamento médico e o cirúrgico, oferecendo-se como uma alternativa melhor que o tratamento médico e menos invasiva que o cirúrgico, sem o risco de complicações frequentemente associadas à cirurgia da próstata.

Embolização das artérias prostáticas

– A embolização é o tratamento mais eficaz para tratar a hiperplasia benigna da próstata?

A embolização prostática foi desenvolvida pela nossa equipa de angiografia do Hospital de saint louis em Lisboa há 10 anos e foi o tema da minha tese de doutoramento. Na altura em que iniciamos a técnica, ela estava também a ser desenvolvida no Brasil. O nosso grupo em Portugal e o outro grupo de radiologia de intervenção do Brasil foram os pioneiros da técnica de embolização prostática nos doentes com hiperplasia benigna da próstata.

Durante os últimos 10 anos embolizamos mais de 1500 doentes com hiperplasia benigna da próstata no serviço de angiografia do Hospital de Saint Louis, e ensinamos a técnica a radiologistas de intervenção em equipe com colegas urologistas. Recebemos mais de 100 grupos de médicos de todos os países do mundo que vieram aprender conosco a fazer a embolização prostática.

De tal forma que actualmente já se faz a embolização prostática em todo o mundo, com publicações a mostrar ser segura e eficaz em mais de 5000 doentes de países como os EUA, Inglaterra, Alemanha, França, Suiça e Espanha. A embolização prostática foi comparada com a cirurgia da próstata e demonstrou ser igualmente eficaz no alívio dos sintomas, e com menos complicações. A recuperação após a embolização é muito melhor, com menos dor, sem necessidade de algaliação. Contudo, a cirurgia tem demonstrado maior eficácia na desobstrução urinária, á custa de uma recuperação mais dolorosa, com necessidade de algaliação e maior risco de complicações como ejaculação retrógrada e disfunção sexual.

– Como funciona a embolização das artérias prostáticas?

Tratamento elegante em que bloqueamos o aporte de sangue à próstata.

Realizamos um cateterismos, ou seja, através de uma artéria introduzimos um cateter.

Artéria radial ou femoral; anestesia local, cateter até à próstata.

Embolização com microesferas calibradas.

Remoção do cateter, compressão.

Excelente recuperação, sem dor, pode beber e comer.

Ardor urinário, frequência – prostatite ou inf urinária que controlamos com medicação. Muitos doentes voltam à vida normal no dia seguinte e já a notar melhorias na forma de urinar.

– Todos os homens podem fazer?

A maioria dos homens com HBP sintomática poderá ser um candidato à embolização prostática.

Tem de ter sintomas severos, a HBP não tem indicação para ser tratada de forma invasiva se não tiver sintomas severos. Tem de ter sido esgotada o tratamento médico ou o doente não tolerar os medicamentos para a próstata. Devem ser excluídas outras causas de sintomas urinários como a bexiga hipractiva, a falência do detrusor (o músculo da bexiga) ou o cancro da próstata ou da bexiga. Se for confirmada a HBP e esta a causa dos sintomas, então a embolização poderá ser considerada.

O candidato ideal é o doente com retenção urinária aguda com algália e que não consegue urinar. Geralmente após 2 semanas já pode tirar a algália e urinar com facilidade. Os doentes com próstatas acima de 40 cc de tamanho também são bons candidatos e não há limite superior, já tendo sido tratadas próstatas com mais de 200 cc de tamanho.

Geralmente avaliamos o grau de obstrução vesical com fluxometria, que é fácil de realizar e indolor – o doente urina para um balde que mede a velocidade do fluxo urinário. Medimos o tamanho da próstata por ecografia ou RM, fazemos análises ao sangue para avaliar o PSA e uma TAC para estudar as artérias que vão para a próstata e ver se não há obstrução por ateroesclerose das artérias que vão para a próstata.

Com esta avaliação prévia podemos ter a certeza que estamos a tratar a hiperplasia benigna da próstata e a melhorar a qualidade de vida dos homens com sintomas do trato urinário.

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